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EM BUSCA DA JUSTIÇA SOCIAL

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“Qual a pena para um comentário babaca?”

“No plano criminal, não constitui tipo penal de racismo, calúnia, difamação ou injúria. No plano cível, não caracteriza ilícito. No campo trabalhista, hipótese de aplicação de advertência. Portanto, ainda que política ou moralmente reprovável, não é capaz de produzir consequências legais no mundo jurídico”.

Essa é a conclusão de parecer da consultoria Jurídica & Compliance Fabio Galindo, contratada pelo publicitário José Boralli para analisar sob o ponto de vista legal o post reconhecidamente por ele mesmo como infeliz, há quase um ano, sobre o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018.

A pena para a escorregada na mídia social, porém, se tornou eterna para uma parte dos internautas do meio. Desligado da agência Africa após o episódio, a pressão voltou com força de um furacão quando ele foi anunciado como novo managing director da BETC. E nova demissão após apenas uma semana.

O linchamento digital aplicado a Boralli rendeu, até agora, quase 12 meses de estiagem profissional. Um ano sem o direito de trabalhar para sustentar a família.

Ele não cansa de se desculpar e admitir o erro de ter complementado a frase “Nordeste vota em peso no PT” com “Depois vem pro Sul e Sudeste pedir emprego”.

O que muita gente classificou como xenofobia, outras encararam como um desabafo típico de torcedor de futebol contra o adversário após uma vitória.

Um post claramente ofensivo, inadequado, incorreto, mas que não merece a pena que lhe querem impor. “Até pensei em desistir, mas não vou jogar fora 25 anos de trabalho na profissão que escolhi. Prefiro pensar que a pena máxima para um comentário babaca colocado em uma conta fechada em rede social não pode ser eterna”, acredita Boralli.

Sobre envio de representação jurídica a pessoas que criminalizaram seu post ele diz que não foi generalizado, mas apenas às mais ofensivas, que devem explicar qual o crime que cometeu, já que o parecer jurídilco que carrega nega tal tipificação.

Boralli só quer ter o direito de trabalhar e mostrar que aquele comentário não define sua personalidade, representando apenas um desabafo diante do resultado eleitoral.

Tivesse parado no primeiro período da frase, “Nordeste vota em peso no PT”, estaria apenas retratando uma verdade. A continuação é que o levou a esse calvário.

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