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UM PASSO ATRÁS

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O presidente viu na TV e não gostou. Ligou para o comandante do Banco do Brasil, mandou tirar do e demitir o diretor de Marketing. 

Era a primeira campanha de produto de uma estatal desde o início do atual governo, que havia congelado as verbas de propaganda.

 A agência WMcCann havia seguido fielmente o briefing de modernizar a linguagem e focar no público jovem.

Além do filme do qual o presidente não gostou, ainda tinha o app que abre conta a partir de uma selfie.Tudo conforme a diretoria de Marketing do banco havia solicitado. 

Mas o filme saiu do ar.Todas as campanha de estatais a partir de agora devem passar pela aprovação do Planalto. É preciso saber, porém, quem se encarrega disso. 

Os presidentes das estatais já sabemos que não são. A TV de Bolsonaro é o filtro.Ele não gostou do comercial.

No elenco, jovens representando a diversidade da população do país, de raça, orientação sexual, comportamento.

Não passou pelo crivo do Planalto. Não adiantou seguir o briefing. O BB só pode vender seus produtos para um público que o Planalto considera “normal”.

Contas serão abertas se aprovadas as fotos de quem mandar uma selfie?Ou o app da selfie também será cancelado?

Assim começa a propaganda do novo governo. Diretores de Marketing das estatais só sobreviverão se fizerem tudo o que seu mestre mandar.

O governo federal já foi o mais importante anunciante do país. Hoje, suas contas, ganhas em processos de licitação, tornam-se fantasmas, assombrando as agências que as conquistaram. 

Além de atraso nos pagamentos, ainda terão que se submeter à TV do presidente.

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