VIOLÊNCIA NÃO RESPEITA HORÁRIO COMERCIAL

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Campanha do Instituto Nós Por Elas pede delegacias da Mulher abertas 24 horas

No Brasil, são registrados, em média, cinco feminicídios por dia. A maior parte desses crimes acontece durante a noite, justamente quando mais de 80% das Delegacias da Mulher estão fechadas.

Grande parte de farmácias, restaurantes, academias e supermercados funcionam 24 horas. Mas um serviço essencial para a proteção das mulheres ainda está longe de seguir a mesma lógica em grande parte do país.

A Campanha pró-bono “Delegacia 24 Horas”, criada pela agência NOVA em parceria com o Instituto Nós Por Elas, celebra o “Agosto Lilás”, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. 

A iniciativa busca ampliar a discussão sobre um problema que persiste no país, já que embora a legislação determine o funcionamento ininterrupto das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, essa ainda não é a realidade de grande parte das unidades.

A campanha transforma essa contradição em conceito criativo ao colocar lado a lado serviços disponíveis a qualquer hora e um equipamento público fundamental para mulheres em situação de violência. 

A campanha é composta por um filme de 30 segundos para TV e internet, vinheta de 10 segundos para DOOH e peças de OOH.

Instaladas próximas a estabelecimentos que funcionam 24 horas, as peças estabelecem uma relação direta com o entorno.  

A produção percorre uma cidade que continua funcionando durante a madrugada, mostrando diferentes estabelecimentos de portas abertas. A sequência é interrompida pela imagem de uma Delegacia da Mulher apagando as luzes. 

A campanha também convida o público a participar da mobilização por meio do manifesto “Delegacia 24 Horas”. Com o chamado “Assine o Manifesto”, a iniciativa direciona para o site do Instituto Nós Por Elas, onde é possível conhecer a proposta, ler o documento e aderir ao movimento em defesa do funcionamento 24 horas das Delegacias da Mulher. 

“A violência não respeita o horário comercial. A ameaça não aguarda o amanhecer. A mulher que encontra coragem para pedir ajuda não pode ser recebida pelo Estado com um aviso para que retorne no dia seguinte. A lei já determina o funcionamento ininterrupto das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. O que falta é transformar essa obrigação em realidade”, diz Camilla Liporaci, presidente do Instituto Nós Por Elas. 

Para Márcio Nazianzeno, redator da NOVA, a campanha utiliza uma situação cotidiana para evidenciar uma contradição que ainda faz parte da realidade brasileira.

“Esperamos que a campanha estimule o debate e contribua para a adoção de medidas concretas do poder público para ampliar a defesa das mulheres”, afirma. 

A discussão proposta pela campanha encontra respaldo na Lei nº 14.541/2023, que determina o funcionamento ininterrupto das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, inclusive aos finais de semana e feriados.