Prêmios

A REDENÇÃO DO CINEMA BRASILEIRO

Publicado em

Sessenta e três anos depois da Palma de Ouro no Festival de Cannes para “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte, o Brasil volta ao principal noticiário do cinema mundial com “Ainda Estou Aqui”.

Diferente de uma produção de baixo custo dos irmãos Massaini, “I’m still here”, Oscar de Filme Internacional, é uma parceria de grandes empresas como Globoplay, Conspiração Filmes e Arte France Cinema.

Não que Walter Salles tenha tido uma verba astronômica. Os 1,5 milhão de dólares para a produção foram inclusive considerados modestos em notícias pelo mundo.

Nada que tire o brilho de um filme que não só resgata a história da repressão, violência e autoritarismo promovidos pelo regime militar durante 21 anos no Brasil.

E além do resgate, a obra representa uma redenção do cinema nacional, estagnado por falta de incentivo durante o governo anterior.

A lista de prêmios de “Ainda Estou Aqui” é imensa e coroada pelo Oscar como Melhor Filme Internacional e pelo Globe Awards a Fernanda Torres como Melhor Atriz de Drama.

Além de Walter, Fernanda e Selton Mello, figuras centrais do longa-metragem, outro grande responsável pelo feito é o jornalista, dramaturgo e escritor Marcelo Rubens Paiva.

O livro que deu origem ao filme foi lançado em 2015, quando o Conselho Nacional de Justiça corrigiu a certidão de óbito do deputado Rubens Paiva, emitida em 1996, 25 anos depois do seu assassinato, com a definição de causa: “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.

Foi aí que ele percebeu que na verdade a grande heroína de sua família era a mãe, Eunice Paiva, personagem principal da obra, que jamais esmoreceu em busca da verdade, mesmo sem nunca ter recebido o corpo do marido para uma despedida e enterro dignos.