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UM TIME PARA SUCEDER O LÍDER

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Washington Olivetto vai se dividir entre a WMCann e a agência de Londres do grupo até o final de 2019

Olivetto: na agência até 2019

“Quem não gostaria de poder contar com um dos grandes nomes do mercado para indicar à sua sucessão? Eu gostaria muito, mas os melhores já têm seu próprio negócio. Por isso acho que o ideal é preparar um grupo de executivos, e aqui temos muitos competentes, para seguir a trajetória da agência”.

Com essa frase Washington Olivetto esclarece como deverá ser o novo comando da WMcCann a partir de 2020. Da mesma forma, desmente que a agência ou o grupo esteja procurando um sucessor no mercado brasileiro ou internacional, como chegou a ser comentado no mercado.

Ele liga os boatos à sua nova função de consultor da McCann Londres, onde passa alguns dias por mês para estar junto à esposa Patrícia e os gêmeos Theo e Antônia, que começaram o ano letivo colegial na capital da Inglaterra.

“Sempre gostei muito de viajar. Hoje você faz tudo dentro de um avião. Usa celular e internet, e os voos ligam os destinos em algumas horas. O que talvez tenha motivado as especulações foi uma frase que disse recentemente, numa de minhas voltas, ao constatar que a situação política, econômica e social do país fica cada vez pior. Falei que pela primeira vez não estava feliz em retornar”, explica ele.

Em 2010 Olivetto comandou a fusão de sua W/Brasil com a McCann, formando a WMcCann da qual atualmente é o chairman. O presidente é o norte-americano criado na Argentina Martin Montoya, subordinado direto de Fernando Fascioli, presidente do McCann Worldgroup para a América Latina e Caribe.

“Vou ficar nesse vai e vem entre São Paulo e Londres. Lá tenho praticamente um escritório montado pelo Pablo Walker, que preside o grupo McCAnn na Europa e quem me convidou para ser consultor. Além disso, Londres é a Nova York da Europa e foi o local que escolhi para meus filhos estudarem a partir do ensino médio”, diz Olivetto.

Por outro lado, explica que os clientes da WMcCann ainda exigem sua presença nas reuniões, formulação de briefing e apresentações. “Não posso deixar de atender. Os negócios da agência passam por mim também”, justifica.

Mesmo assim, admite que já pensou em levar um criativo de destaque para o seu lugar, quando deixar a agência. “Em 2020 vou me dedicar a outras atividades da comunicação e penso que o ideal é formar um grupo de profissionais para assumir as responsabilidades. Não tem como convidar o dono de um negócio para vir para cá”, explica.

Sem dúvida o maior nome da publicidade brasileira contemporânea, Washington Olivetto completará em 2019 seu cinquentenário na profissão iniciada em 1969 como redator. Se consagrou na atividade pela DPZ, onde ficou até abrir sua WGGK, em 1986.

Ele é autor de alguns dos mais premiados trabalhos publicitários brasileiros, como a campanha do Garoto Bombril e os comerciais “O primeiro sutiã”, de Valisére, e “Hitler”, para a Folha de S.Paulo, eleito um dos 100 melhores do mundo em todos os tempos.

Apaixonado pela propaganda e pelo Corinthians, Olivetto porém está em fase de “desamor” com o país. “Na minha agência eu segurava a onda com os sócios Javier Llussá Ciuret e Gabriel Zellmeister. Numa multinacional não dá para fazer isso. Com dor no coração, ao perder uma conta como a do Bradesco, fomos obrigados a demitir gente muito boa e competente. Isso me arrasou”, confessa.

Enfim, esperando uma melhora do mercado, ele continuará comandando a WMCann até o final de 2019, atendendo seus principais clientes pessoalmente e fazendo o que mais gosta, viajar, especialmente porque cada aterrissagem em Heathrow garante uma boa temporada criativa na agência e em casa com a família.

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