Produtoras

DOMUS DE CURA GANHA MÚSICA BRASILEIRA

Publicado em

Produtora Canja se engaja em campanha chilena que transformou armas em espaço de refúgio

O governo do Chile, em parceria com a siderúrgica Aceros AZA e a agência independente La Familia, de Santiago, apresenta projeto que transformou 3,5 toneladas de aço vindas de mais de 80 mil armas destruídas em espaços de refúgio psicossocial para crianças vítimas de traumas.

A produtora de áudio brasileira Canja se somou à ação “Healing Domes” (Domus de Cura) para tornar o som da violência em um hino de esperança.

O primeiro domo foi construído na Escola Tomás Vargas y Arcaya, em Maipú, um distrito fortemente impactado pela violência, beneficiando 444 alunos.

Os “Healing Domes”, estruturas em formato de cúpula projetadas para terapias de bem-estar, meditação e cura mental, foram projetados sob os princípios da neuroarquitetura. São refúgios de nove metros quadrados com isolamento térmico e acústico.

O objetivo é reduzir os níveis de cortisol (hormônios de estresse) em crianças que sofrem de estresse pós-traumático. A iniciativa surge em meio ao maior processo de destruição de armas da história recente do Chile, onde foi eliminado o equivalente a 32% de todas as armas destruídas no país desde 1990.

Para dar voz a essa transformação, a Canja construiu a trilha sonora e o design de som do curta-metragem da campanha, utilizando exclusivamente instrumentos musicais fabricados a partir de armas de fogo e resíduos militares. Essa ação teve a colaboração internacional do artista sérvio Nikola Macura, especialista em converter artefatos de guerra em ferramentas de arte.

A produtora coordenou a criação e a execução musical de uma peça na qual cada nota carrega um simbolismo profundo: violoncelos, violinos e guitarras, antes forjados para o conflito, foram ressignificados para criar uma atmosfera de acolhimento e cura.

“O som tem uma capacidade única de acessar o subconsciente e promover o alívio emocional. Quando decidimos que a trilha seria feita inteiramente com o metal dessas armas, sabíamos que não era apenas uma escolha estética, mas uma extensão da mensagem de reparação do projeto. É o som do metal sendo devolvido à sociedade de uma forma que acolhe, em vez de ferir”, explica Eduardo Karas, sócio e CCO da Canja.

Criação de Nicolás Matthews, Felipe Alarcón e, Trinidad Luna, com direção criativa de Nicolás Montt e Óscar Gonzalez, Craft de Guillermo Aracena e direção geral de Sebastián Vildósola.

Som da Canja Audio Culture, com música de Érica Silva e Nikola Macura, sound design de Daniele Dantas e direção musical de Eduardo Karas, Filipe Resende e Bruno Vieira Brixel. Produção executiva de Nessa Mafra.

Criador dos Instrumentos: Nikola Macura. Músicos na Servia: Milica Svirac (violoncelo), Gabriella Benak (violino), Marko Srđević (violão/guitarra), Aleksandar Lazić (percussão).