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AGRO CRESCE NO CONSUMO DO PAÍS

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Estudo mostra que marcas precisam assimilar a importância do agronegócio na economia

O agronegócio brasileiro atravessa uma revolução que transcende a produção rural e se consolida como uma das principais forças culturais, econômicas e de consumo do país e requer atenção das marcas.

Esse é o resultado da pesquisa “Novo Agro”, realizada pelo Estúdio Eixo, Consumer Behavior & Culture Consulting, do ecossistema Biosphera.ntwk, em parceria com a Zygon Digital – Adtech baiana focada em mídia e estratégia digital.

O levantamento revela uma fotografia inédita do setor que mais cresce no Brasil.

Com uma metodologia que combina desk research, análise semiótica, netnografia de mais de 100 mil comentários em redes sociais e entrevistas com especialistas dos setores de agro, tech, moda e música, a pesquisa decodifica como o agronegócio vem moldando novos estilos de vida, valores e práticas culturais.

O agro não se restringe ao Centro-Oeste. Seus códigos culturais se espalham por todo o Brasil, alcançando também o Nordeste e o Sul.

Responsável por R$ 2,72 trilhões (⅓ do PIB brasileiro) e mais de 28 milhões de empregos (26% dos postos de trabalho do país), o agronegócio transformou cidades do interior em polos de desenvolvimento.

Municípios como Sorriso (MT), São Desidério (BA) e Rio Verde (GO) lideram o ranking nacional de produção agrícola, enquanto Goiânia emerge como a “Dubai brasileira” o epicentro de luxo, com crescimento de 80% em lançamentos imobiliários de alto padrão e porta de entrada prioritária para grifes como Chanel, Tiffany e Christian Louboutin.

Balneário Camboriú (SC) consolida-se como a “Riviera do Agro”, destino preferencial da nova elite rural, com o metro quadrado mais valorizado do Brasil (R$ 14,3 mil) e crescimento de 11,16% em 12 meses.

“O agro brasileiro não é mais homogêneo. Existem múltiplas identidades do produtor tech que pilota drones ao ‘vaqueiro pop’ que mescla botas texanas com grifes internacionais. É um remix cultural que combina raízes locais com referências globais”, destaca o estudo.

Para Lucas Reis, presidente e sócio da Zygon, entender essa transformação é decisivo para marcas que desejam atuar de forma relevante nesse universo:

“O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos. Quando analisamos consumo, mídia e performance, fica claro que as marcas que prosperam são aquelas que traduzem esses códigos em estratégias consistentes de comunicação, experiência e relacionamento — e não em ações pontuais”, afirma o executivo.

Algumas conclusões da pesquisa mostram que 7 em cada 10 brasileiros ouvem Música sertaneja e que 9 dos 10 álbuns mais ouvidos no Brasil desse gênero. Também que mais de 1.000 rodeios por ano movimentam R$ 9 bilhões e reúnem 9 milhões de pessoas. Ainda, que a feira Agrishow 2025 movimentou R$ 14,6 bilhões em negócios e recebeu 197 mil visitantes.

Sobre consumo, o estudo indica um crescimento de 74% nas vendas de picapes premium, com a RAM consolidada como “carro oficial do agro de luxo”.

Na moda, ocorreu um aumento de 379% nas buscas por botas western e 265% por camisas com franja.

Sobre a presença feminina nesse negócio, a pesquisa destaca mais de 1 milhão de produtoras rurais, e 30 milhões de hectares geridos por mulheres. Perfis como “AgroPaty” (herdeiras conectadas, com formação em agronomia e visão ESG) e “AgroPeoa” (mulheres que disputam a arena com competência técnica) ganham protagonismo.

“O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade. É um universo cultural potente, que influencia tendências, linguagem e comportamento muito além do campo”, explica Kika Brandão, CEO da Eixo.

“Mas não basta patrocinar eventos. As marcas precisam entender os códigos culturais, construir passion points autênticos e entregar valor que reforce identidade e pertencimento. O Novo Agro exige estratégia, não oportunismo”, conclui.