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TRANSFORMAÇÃO E CRENÇA NA CRIATIVIDADE

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Filipe: aprender, o melhor que pode fazer por você

Após iniciar sua carreira em uma empresa de consultoria, Filipe Bartholomeu começou no final de 1998 sua longa história na Almap BBDO, então como trainee. Em 2001 foi ganhar experiência na JWT e na LDC. Voltou à Almap, em 2003, como supervisor de conta. Atuou também como diretor, vice-presidente e diretor geral até se tornar sócio e CEO em maio de 2018, dividindo o comando da agência com o criativo Luiz Sanches. Nesses três anos, a dupla não só manteve o reconhecimento da Almap como uma das agências mais criativas do mundo, como também promoveu seu crescimento. Durante a pandemia, conquistou marcas importantes como Diageo, LG, Amazon e Facebook, entre outras, e ao contrário de muitas empresas, aumentou em 15% o time de colaboradores. A Almap também acompanhou a transformação do mercado e já participa de concorrências, sempre que forem claras e éticas, seguindo o conceito de que “a gente não dá de graça a única coisa que temos pra vender”, ou seja, sua criatividade. A seguir, a entrevista:

Depois de cumprir uma jornada como trainee, vinte anos depois você é o CEO da Almap BBDO. O que aprendeu nesse período?

A primeira coisa que se aprende estando mais de duas décadas no mesmo lugar é que é preciso acreditar no sonho daquelas pessoas, daquele lugar. Os sonhos e crenças, quando compartilhados, ganham vida. Aprendi também sobre o poder da transformação, das pessoas, das marcas, das organizações e, sem querer cair em qualquer clichê, o melhor que você pode fazer por você é aprender a aprender. Viver numa jornada de aprendizado é bom demais, porque te faz jogar fora as verdades absolutas e ser uma pessoa e um profissional melhor, sempre. A nossa profissão ensina a gente que é preciso fazer, além de sonhar. Uma ideia só existe se vai pra rua. E a gente, de um lugar de privilégio de uma organização que influencia tantas marcas incríveis ao nosso redor, tem a missão de sonhar grande e realizar grande. Fazer com que as ideias ganhem vida na proporção e com a ambição que merecem. Como dizia Fernando Pessoa, “tudo vale à pena quando a alma não é pequena”.   

Qual a sensação de substituir junto com Luiz Sanches a dupla Marcello Serpa e José Luiz Madeira responsáveis pela consolidação da agência?

Entre os inúmeros privilégios que eu tive na vida, um deles foi ter, por mais de 15 anos, trabalhado muito perto do Zé e do Marcello. Eles foram responsáveis pela consolidação não só da Almap, como também de uma crença irrevogável na criatividade para a indústria da propaganda. Ouso dizer, sem medo de errar, que foram também em grande parte responsáveis pelo sucesso de muitos dos negócios das marcas com as quais eles trabalharam. Mas a parte bonita de tudo isso é que eles fizeram da Almap uma entidade maior do que qualquer pessoa. Maior que eles, maior que o Filipe, o Luiz, ou quem quer que esteja no leme, atravessando uma tormenta ou em dias de mares calmos. Hoje, eu tenho a alegria de ter comigo, no leme, um cara que eu respeito e que me inspira pelo brilho no olho e pela vontade de vencer todos os dias. E juntos, o privilégio de ter um time apaixonado e talentoso. Mas sem perder de vista que a Almap deve sempre ser maior que um ou dois nomes. Numa analogia do futebol, quando o Guardiola, técnico inigualável, deixou o Barcelona, muitos pensaram que seria o fim de um time. Mas o Barcelona é uma entidade, uma marca, um conglomerado de crenças e pessoas, um time de futebol muito maior do que qualquer liderança. Eu olho pra Almap exatamente dessa maneira.

Qual o segredo dessa dobradinha para manter a Almap como a agência mais criativa do país e reconhecida mundialmente?

É relativamente simples: tenha sonhos e crenças compartilhadas. A gente tem uma crença absoluta de que a criatividade é a principal aliada das marcas. E de que o grande teste de qualidade do nosso trabalho é o crescimento dos nossos clientes. Se eles crescem acima dos seus competidores, é um sinal de que estamos entregando o que queremos. E quanto mais gente se apaixonar por essa crença, maior fica esse sonho. Então, mais do que uma dobradinha, somos centenas de pessoas consistentemente apaixonadas por uma crença.

Embora registre muitas conquistas de clientes importantes nos últimos tempos a Almap também tem participado de concorrências, o que não acontecia. O que mudou no mercado para essa nova postura?

Em primeiro lugar, a gente tem uma cultura de transformação. Nada é estanque, imutável, não pode e não deve ser. Por outro lado, a premissa de decisão em participar ou não de um processo de concorrência é exatamente o mesmo que sempre tivemos: esse potencial cliente compartilha das nossas crenças? Ele quer comprar o que nós temos para vender, e vice-versa? Se a resposta é “sim”, a gente entra, e entra feliz. Desde que o processo seja profissional e liderado de forma ética. Afinal, temos um mantra dentro da Almap, que é “a gente não dá de graça a única coisa que temos pra vender”.

Conhecida na propaganda pela longevidade de suas parcerias com grandes marcas, o que a agência faz atualmente para transferir essa condição para novos clientes?

O tempo é o maior termômetro e o maior desafio em qualquer relação. E, no nosso negócio, só se mantem uma relação de longo prazo se há crescimento. Eu constato com alegria que os nossos clientes têm crescido acima dos seus competidores, sempre que colocamos, todos os dias, por muitos anos, o talento, inteligência e criatividade da agência para empurrar esse crescimento. Com uma dose extra de paixão no melhor trabalho: o próximo. As entregas múltiplas da agência, sempre com profundidade na resolução dos problemas e uma cultura consistente na entrega do melhor produto criativo vem fazendo com que muitos dos nossos clientes estejam conosco há mais de 20 anos. Mas também nos ajudando a construir, neste último ano, a mais bem sucedida agenda de novos negócios da história da agência, com a chegada de 12 novas contas: Amazon, Australian Gold, Boehringer Ingelheim, CNN, Diageo, Elo, Facebook, LG, Livelo, Óticas Carol, Vult e WhatsApp fazem parte dessa jornada que muito nos orgulha. Na agência, nós olhamos os desafios da comunicação de forma holística. Por isso temos uma área de Design que extrapola nossas entregas em propaganda para boa parte dos nossos clientes. Temos hoje mais de cinco mesas de performance e até escopos de CRM. Todas essas entregas e times multidisciplinares, respirando uma cultura única.

 A agência já planeja sua atuação pós-pandemia? O que vai mudar? Com que intensidade vai manter o home office? Conseguiu manter a equipe atual mesmo com as mudanças?

Neste momento, a gente realmente não acredita em “voltar atrás”, mas, sim, “avançar”. Não podemos olhar mais para nossas relações com as pessoas da agência e o mercado da mesma maneira que olhávamos em março de 2020. Ainda não há um modelo único, até porque, não haverá um único modelo. Há uma única certeza: as pessoas como prioridade da nossa organização. Respeitando o bom senso, a saúde, e o coletivo, sempre. Evidentemente, o nosso negócio é feito da troca, do contato. É um produto feito de pessoas para as pessoas. Então nós temos que pensar num espaço que agregue tudo isso e que inspire o encontro, até porque, desde o início da pandemia, nós crescemos em 15% o número de colaboradores da agência. Com um olhar especial para a diversidade e inclusão, uma vez que a criatividade parte de olhares múltiplos. Quanto mais diferentes nós somos, mais rica é a troca e mais original passa a ser o nosso produto. É dessa forma que estamos saindo disso tudo que vivemos. Com marcas profundas, diversos aprendizados, mas, no fim do dia, muito mais fortes.