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DEIXE SE ENXERGAREM COMO SÃO

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Unaids, programa das Nações Unidas que luta para infecção, discriminação e morte zero de HIV, lançou no Dia Internacional da Visibilidade Transgênero, comemorado em 31 de março, o vídeo “O Espelho”.

Em parceria com a FCB Índia, o filme retrata a diversidade de gênero como um direito inerente a todas as pessoas. O preconceito contra a comunidade LGBTIQ é mais evidente em crianças e adolescente, cuja condição sexual não é compreendida.

As estatísticas mostram que adolescentes trans têm maior propensão de cometer suicídio. Além disso, as pessoas transgênero enfrentam enorme discriminação e, em alguns países, podem até ser presas. E as mulheres transgênero apresentam as maiores taxas de HIV, 40% em alguns casos, em comparação com o resto da população.

“O Espelho”, com o conceito “Let’s see our childre the way they see themselves” (Vamos enxergar nossas crianças  como elas próprias se veem) mostra um jovem garoto entediado, que decide não brincar com outras crianças durante um grande festival indiano de pipas. Sua mãe tenta animá-lo, mas ele escapa e desce as escadas sozinho, veste uma echarpe feminina, passa batom nos lábios e sorri ao ver seu reflexo em um espelho.

Momentos depois, sua mãe e sua avó o pegam dançando com os adereços. A trilha musical para, e as mulheres olham para o garoto. Passam-se alguns segundos de tensão, mas, de repente, as mulheres se juntam a ele.

A roteirista Swati Bhattacharya, Chief Creative Officer da FCB Índia, captou o momento decisivo de autorreconhecimento. Em geral, ela explica, encaramos as crianças como projeções nossas e queremos que elas sejam extrovertidas, estudiosas e obedientes, recusando-nos a enxergá-las como realmente são e como querem crescer.

“Minha intenção foi mostrar que toda a discriminação começa em casa, e é geralmente essa ruptura que faz a criança sofrer mesmo depois de se tornar adulta. Se você for aceito em casa, estará mais preparado para enfrentar o mundo externo”, afirma.

“A comovente história de O Espelho é universal. De Kolkata ao Kansas, as crianças transgênero querem ser amadas e aceitas por amigos e familiares. As crianças se desenvolvem melhor onde há amor. Nossa expectativa, no UNAIDS, é que esse filme dê início à tão necessária conversa em todo o mundo sobre o direito das crianças em toda a sua diversidade, explica Mahesh Mahalingam, diretor de Comunicação e Conscientização Global do UNAIDS.