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ATLETA E MULHER, DESDE SEMPRE

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O movimento “Let Her Run” lançado em 2019 visando a disputa das Olimpíadas de Tóquio, previstas inicialmente para julho de 2020 e transferida para 2021 em razão da pandemia, combate a constrangedora verificação de gênero imposta às atletas mulheres.

O método mudou, mas elas continuam tendo que provar que são mulheres. Os homens nunca tiveram essa necessidade. Desde maio de 2019, as atletas que apresentam 5nmol/L (5 nanomoles de testosterona por litro de sangue), são proibidas de competir.

Com iniciativa da agência Africa e apoio do canal SporTV, um impactante comercial de 4 minutos e meio produzido pela Madre Mia Filmes com direção de Rafael Damy, mostra de forma realista essa discriminação.

O filme, produzido em São Paulo no ginásio do Esporte Clube Sírio, com ator norte-americano e atriz argentina, detalha a situação imposta às atletas mulheres desde 1968 em forma de invasivo e vexatório exame de prova de feminilidade.

O movimento #LetHerRun surgiu em razão da bicampeã olímpica dos 800 metros, a sul africana Caster Semenya, ter sido impedida de defender seu título nos previstos Jogos de Tokyo-2020, a menos que use uma medicação para reduzir seu nível de testosterona.

O objetivo da campanha é acabar com os abusivos exames para determinar o sexo de uma atleta.

O #LetHerRun é uma coalizão de ex-atletas, cientistas desportivos e acadêmicos, entre elas a ex-jogadora de vôlei Jaqueline Silva, primeira brasileira medalhista de ouro em Jogos Olímpicos, e Kátia Rubio, professora da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

O #LetHerRun traz uma carta aberta para a World Athletics e seu presidente Sebastian Coe, diante da desigualdade de tratamento, já que homens não são limitados a um teto de testosterona natural para competir.