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AFROCONSUMO SUPERA CLASSE A

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Alexandra: posicionar o Marketing

O consumo anual da população negra brasileira, composta por negros e pardos, atinge um valor de R$ 1,9 trilhão, ou 40% do total, número maior do que o registrado pela classe A.

Esse é o resultado de pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva para a CUFA-Central Única das Favelas.

O indicador, porém, parece não ser percebido pelas empresas do país, como constata a jornalista Alexandra Loras, ex-consulesa da França no Brasil e ativista na luta contra o racismo.

A população negra no Brasil é de 118,9 milhões de pessoas, ou seja, uma maioria de 56% da população.

“Percebemos que este valor, pra lá de expressivo e uma fonte de lucro certeira, é deixado de lado em detrimento ao racismo estrutural, que leva a maioria das empresas a direcionar seus negócios somente às pessoas brancas, como se o poder de compra fosse exclusivo delas”, diz Alexandra.

Nascida em Paris, a ex-consulesa é filha de mãe francesa e pai gambiano. Também empresária, consultora de empresas e autora de livros, atuou por mais de 20 anos na área de transformação pessoal e empresarial e é fundadora do Fórum Protagonismo Feminino. Ela é casada com o diplomata Damien Loras, que atuou como cônsul no Brasil indicado pelo presidente Nicolas Sarkozy.

“É fundamental que as marcas posicionem seus produtos, serviços e campanhas de Marketing também para este público. É dever das empresas representarem a verdadeira população brasileira, que é diversa. As empresas preferem ser racistas a serem capitalistas, conversando só com uma parte da população, perdendo a oportunidade de inclusão e de reparar as consequências históricas da escravidão”, afirma Alexandra.

A pesquisa “Racismo e Mercado de Trabalho”, aponta ainda um triste número, relacionado às pessoas pretas no mercado de trabalho. Dentre os profissionais pretos com mais de 18 anos, 46% afirmam ter pouca ou nenhuma diversidade de raça nas empresas em que trabalham. Destes, 76% conhecem alguém que já tenha sofrido discriminação, deboche ou humilhação pela cor ou raça, dentro do ambiente de trabalho.

“A política de cotas raciais permitiu um aumento de 350% de negros nas universidades brasileiras nessa última década. Então negros com mestrados ou doutorados, tem milhares, mas, pelo preconceito dos RHs, muitos não conseguem ser contratados. Por isso que não acredito na teoria de que falta educação para os negros ascender na sociedade. Precisamos preparar os ambientes corporativos a desconstruir seus vieses inconscientes”, explica.

A questão salarial também traz em si as consequências do racismo estrutural. A população negra ganha cerca de 76%, do que a população não-negra  Para completar, dentre os cargos de chefia ocupados por pessoas negras, a situação também é alarmante. Somente 10% trabalham com uma pessoa negra entre os cargos máximos da empresa.

O levantamento realizado nos dias 4 e 5 junho, consta de 3.11 entrevistas com homens e mulheres de 16 a 69 anos, das classes A, B, C, D e E, em todos os estados brasileiros.