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UMA “LIVE”, DOIS TALENTOS

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Convidado para uma Live por Fabiano Lobo, managing director Latam da Mobile Marketing Association, Hugo Rodrigues, chairman e CEO da WMcCann, tinha que escolher seu parceiro na conversa. Alguém que ele admira. Seu inspirador profissional, Marcello Serpa, aceitou imediatamente o convite.

Em papo inédito, Hugo entrevistou Serpa sobre assuntos  como economia, comunicação das marcas nesse momento sem precedentes, passado, presente e futuro do mercado.

Na opinião de Serpa, o Brasil está vivendo uma polarização que vai custar muito caro para as próximas gerações. “Acho o Brasil um país muito mal-humorado. Perdeu muito da irreverência e da leveza que tinha, que sempre teve, que faz parte da nossa cultura”, disse. 

Hugo questionou Serpa se ele não acha que a polarização é um pouco desse novo mundo. E pode estar vindo da tecnologia, das fake news e dos algoritmos trabalhando.

“A tendência das pessoas é se juntar com outras que pensam parecido. As pessoas só se alimentam daquilo que elas mesmas concordam. E quando uma opinião contrária entra nesse grupo é quase que expelido por um anticorpo violento”, respondeu.

Sobre o discurso das marcas, Serpa disse que elas se tornaram muito uniformes para não correr risco. “Existe uma carga emocional muito grande das marcas. Se eu fosse publicitário eu voltaria para projetos mais simples, tentar fazer a marca servir para o que ela serve. Tentar entrar em um discurso menos pretencioso, mais leve, mais próximo das pessoas”. 

Os dois também comentaram sobre a linguagem diferente das marcas em cada meio. A falta de um discurso único.

Serpa destacou: “Aquilo que eu sabia fazer, criar uma imagem de marca, um discurso de marca homogêneo, bacana e passar por todos os canais possíveis e defender aquilo até o fim, aquilo ali ia perder importância. Foi uma das razões pelas quais que eu deixei a propaganda”. 

Hugo colocou como a profissão já perdeu o impacto de atingir como se atingia, com aquelas marcas grandiosas e apaixonantes.  

Serpa lembrou como os algoritmos são importantes hoje para atingir públicos que não seria possível normalmente. “O algoritmo começa a definir o tipo de conteúdo que você está colocando. E você começa a perder o intangível. O intangível na arte, na comunicação, que dá o valor naquilo que a gente faz. Hoje o intangível pode ser criado pelo algoritmo”

“Antigamente quando a gente criava uma coisa fora do comum, a pupila dilatava. Hoje a dilatação da pupila é um like. As marcas querem ser unânimes. Querem falar com a totalidade. Vão fazer aquele discurso sorvete de baunilha. Um sabor pra todo mundo. É um problema se um grupo que não pertence ao seu público alvo criar uma antipatia pela sua marca”, declarou.

 Hugo ainda questionou Serpa sobre qual o segredo de deixar o mercado de uma maneira tão brilhante, educada e serena.

“Eu tive uma consciência cedo. Eu sempre tive em busca daquilo que me faz feliz, o que faz sentido pra minha vida. A propaganda sempre fez sentido. Sempre foi instigadora, inspiradora. O processo era muito gostoso. Fiz isso durante muito tempo. Mas comecei a perceber pra onde a comunicação estava indo. Aquele lado leve, lúdico e divertido começou a ficar mais distante. É muito fácil você ficar prisioneiro do seu próprio ego e vaidade. Aquilo ali de certa maneira não me seduzia mais. Queria me provocar para fazer uma coisa nova. Uma delas é fazer o processo criativo, visual. Queria tentar explorar esse lado artístico de uma maneira mais intensa. Pensei em dedicar alguns anos a pintar. Criar imagens que é o que sempre me fascinou. E queria surfar o máximo possível enquanto meu corpo pudesse”, respondeu Serpa.

 “Diante desses desafios que a gente vive. Onde tudo é mais descartável, da fragmentação das mídias, desse excesso de conteúdo. Se seu filho quisesse entrar no mercado publicitário pra poder ser relevante no meio desse arsenal de riscos que ele tem pela frente, o que você diria pra ele?” perguntou Hugo. 

“Eu acho que hoje o importante é você ser um cara absolutamente completo. O cara que tem uma banda, toca gaita e com o pé toca o bumbo. Eu acho que existem algumas pessoas que conseguem ser um tipo de agências de propagandas sozinhos. Conseguem filmar, editar, criar. Se ele for bom de criação então ele vira um artista multimídia que acaba entrando no mercado publicitário e tudo. Eu vou torcer pra que ele seja uma pessoa extremamente criativa e que aprenda a executar essa criatividade sem a necessidade de muitas pessoas e muitas estruturas”, finalizou.