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COMO A FAMÍLIA REAL VÊ “NOVO MUNDO”

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Descendentes de D.Pedro e Dona Leopoldina têm visões diferentes de novela campeã de audiência

Caio Castro e Letícia Colin: a ficção

Um dos folhetins da TV Globo de maior sucesso entre o público, “Novo Mundo” mistura realidade e ficção e retrata vida do primeiro casal de imperadores do país.

Representantes dos dois ramos da família real brasileira divergem sobre a eficácia da novela como fonte de informação histórica. Chefe da Casa Imperial brasileira, D. Luiz de Orleans e Bragança, e o príncipe D. Bertrand, entendem que a atração confunde o telespectador.

Já D. João Henrique, ou Dom Joãozinho, príncipe da ala de Petrópolis, descendente de herdeiro que abdicou da sucessão para se casar com uma condessa em vez de representante dinástica, prefere dizer, que de uma forma ou de outra, o folhetim representa um acesso do povo à história do Brasil.

D. Pedro e Da. Leopoldina: a realidade

A novela “Novo Mundo”, de Thereza Falcão e Alessandro Marson, bate nos 30 pontos de audiência, uma das maiores entre todos os folhetins da emissora.

Para a Casa Imperial Brasileira, defensora da monarquia, através de seu porta-voz Luiz Augusto Franco, isso se deve aos recursos cênicos que aumentam seu poder de indução, mesmo que abusando da mistura entre história e ficção.

D. Luiz, sucessor e D. Bertrand, príncipe imperial

“A Globo vem promovendo sistematicamente nas últimas décadas, uma verdadeira revolução cultural, caracterizada pela desconstrução dos padrões tradicionais e a promoção da extravagância, da amoralidade e ausência de regras”, diz o comunicado enviado a este Blog.

Já D. João Henrique, de orientação republicana, entende como natural uma produção dessa natureza.

D. João Henrique: retrato da época

“Vejo muito interesse nesta novela, que é a maior audiência neste horário nos últimos 10 anos.  Nem todos sabem que um filme, livro ou novela podem ser romanceados e quem dá o tom são os autores. Uma mensagem sobre isso está sempre no final dos créditos.  É importante um cidadão saber sobre sua identidade, e a História é parte da identidade nacional” disse ele ao Blog.

“Muito foi criado para dar emoção a cada capítulo. Mas também muito foi retratado de acordo com a história. D. Pedro tinha perfil intempestivo? Sim! Domitila participou de uma trama para conhecer D. Pedro? Não! O Coronel Inglês Thomas existiu? Não! D. Leopoldina foi boa conselheira de D. Pedro? Sim. Em geral acho, até agora, o conjunto bom. Personagens excelentes e engraçados. A novela mostra a realidade da época com os conflitos entre brancos, negros e índios num Brasil em ebulição às vésperas da Independência”, conclui.

João Henrique de Orléans e Bragança, príncipe de Orléans e Bragança, conhecido como Dom Joãozinho, é fotógrafo e empresário,  proprietário da pousada do Príncipe, em Paraty, e da imobiliária SelvaMar.

Ele é filho do príncipe João Maria de Orléans e Bragança, neto de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, príncipe do Grão-Pará e príncipe de Orléans e Bragança, que, em 30 de outubro de 1908, abdicou dos seus direitos, por si e por sua futura descendência à linha de sucessão ao trono brasileiro.

João Henrique é bisneto da última princesa imperial do Brasil, D. Isabel de Bragança, e do príncipe imperial consorte do Brasil, D. Gastão de Orléans e Bragança, Conde D’Eu, sendo trineto do último imperador do Brasil, D. Pedro II,  e tetraneto do imperador D. Pedro I.

D.Luiz Gastão Maria José Pio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach, príncipe de Orléans e Bragança, até a morte de seu pai, é o atual chefe da Casa Imperial do Brasil. Nascido em Mandelieu, na França, é formado em Química pela Universidade de Munique.

É o primogênito de Pedro Henrique de Orléans e Bragança, e neto de Luiz de Orléans e Bragança, bisneto da princesa Isabel e trineto do imperador D. Pedro II. Se fosse imperador, estaria reinando como Sua Majestade Imperial, Dom Luiz I.

Seu irmão, D. Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança, é o atual príncipe imperial do Brasil pelo ramo de Vassouras.

Para eles, a Globo pretende aproveitar o calendário histórico, que, a partir da chegada ao Brasil da Família Real em 1808, proporciona uma série de comemorações de 200 anos, até 2022, quando se celebrará o bicentenário da Independência.

E, segundo a Casa Imperial, a emissora anda na contramão, pois entende que é sensível o aumento do interesse pelo tema “monarquia” em razão da situação política atual do país, decorrente do sistema de governo iniciado em 1889.