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CONTRA TUDO E CONTRA TODOS

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Em apenas uma semana o ruivo virou moreno, foi suspenso e voltou pra TV afirmando que não é bom ficar marcado só por uma coisa. “Sou João Cortes, sou ator”, justifica o fato de ter trocado a Vivo pela Nextel.

Esse talvez pudesse ter sido o primeiro comercial da nova e primeira campanha da Tribal para a operadora que continua dizendo ser a melhor do país. O antecessor, suspenso preventivamente pelo Conar, será julgado por concorrência desleal.

A solução encontrada pela agência está dentro dos parâmetros da atividade publicitária, ao contrário das menções irônicas aos concorrentes que constam do primeiro filme.

Infelizmente, o código brasileiro da área não permite a propaganda comparativa, como ocorre normalmente no mercado norte-americano especialmente entre gigantes, como Coca-Cola e Pepsi, McDonald’s e Burger King, por exemplo, com campanhas geniais.

A questão neste caso doméstico, porém, não se restringe às marcas, mas sim ao protagonista, que serviu a líder do setor de telefonia móvel por três anos, entre 2013 e 1015.

Segundo um estudo de Brand Asset Valuator realizado há 3 anos, independente da profissão do famoso, quando ele é contratado por uma companhia, passa a cumprir o papel de um produto e, como tal, precisa ter qualidade para ser vendido.

Outro ponto desse levantamento está diretamente ligado à credibilidade, como fator determinante para a escolha de celebridades. Diz que a decisão não pode se basear apenas na índole delas, mas deve considerar as suas afinidades com o produto vendido.

O mercado já viveu problemas desse tipo no setor de Beleza, quando o público duvidou que celebridades como Xuxa, Flávia Alessandra e Angélica realmente usassem produtos da Monange, Neutrox e Niely, respectivamente.

Mais ainda quando Roberto Carlos fechou contrato com a Friboi para enaltecer um produto que, como vegetariano, não consumia há vários anos. Piorou com a exibição do comercial, no qual o cantor sequer chegou perto do bife que estava em seu prato.

O estudo em questão ainda aborda a questão da ética, concluindo que a celebridade deve analisar e filtrar as propostas para não vender marcas diferentes do mesmo segmento, embora também caiba à companhia não sondar a personalidade que está no concorrente. “Ter um rosto em empresas oponentes não gera resultado”, conclui o levantamento.

Somando tudo isso, pode-se entender o ranking de celebridades na propaganda de 2017, que levou Zezé Di Camargo ao topo da lista de aparições em comerciais na TV, superando a campeão de 2016, Marina Ruy Barbosa, e a bicampeã de 2014-15, Gisele Bundchen.

O sertanejo surgiu exatas 12.967 vezes na tela da TV em campanhas para Marabraz, Vest Casa, Zaeli Alimentos e Joli Material de Construção, de segmentos distintos.

Resta saber como o público está encarando a campanha da Nextel como o ex-ruivo agora moreno. O fato de ser ator pode justificar sua atuação convincente como garoto-propaganda para várias marcas. O consumidor, porém, precisa acreditar em cada frase.

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