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QUEM NÃO SE LEMBRA?

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Há décadas a receita é a mesma. Quer fixar uma marca na cabeça do consumidor? Use um jingle criativo e fácil de cantar.

No período colonial do Brasil, ambulantes já compunham musiquinhas para anunciar seus produtos nas ruas.

Desde a décade de 60, porém, uma série de produtos foram cantados e tiveram seus nomes repetidos pelo consumidor em razão dos jingles que integravam suas campanhas.

Pise sem dó, a cera é Dominó, Quem bebe Grapette repete, Vem pra Caixa Você também, Caldo Maggi, o caldo nobre da Galinha Azul, O Elefante é fã de Parmalat, e Soy Louca por Pipoca e Guaraná são alguns exemplos de jingles históricos.

Toda essa história sobre o mais artístico dos segmentos da propaganda está no livro “Jingle é a Alma do Negócio”, do publicitário Fábio Barbosa Dias, que começou sua carreira criando música para a propaganda em 1993 e hoje é professor universitário. A obra demandou muitos anos de pesquisa e uma série de 37 entrevistas.

Para entender como o talento dos jinglistas consegue transformar a música em uma poderosa ferramenta de comunicação publicitária, o autor traça um panorama abrangente e aprofundado sobre a história e as histórias das músicas de propaganda e de seus criadores.

Explica com detalhes o processo de criação de um jingle, que envolve agências de propagandas, músicos e produtoras de áudio.

Um dos capítulos é dedicado a biografias de grandes jinglistas brasileiros, como Maugeri Neto, que criou a marcha “A taça do mundo é nossa” em homenagem à Seleção Brasileira de 1958, e José Luiz “Zelão” Nammur, autor de cerca de 6 mil jingles ao longo de sua carreira.

Também destaca que compositores populares como Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix também eram jinglistas.

“O tempo passa, o tempo voa”, do Bamerindus, de autoria de Walter Santos, surgiu nos anos 1970 e foi reutilizado em 1990, após o confisco das poupanças promovido pelo governo Collor. Outro jingle que pegou na mesma época foi o de Danoninho. A ideia de usar a peça para piano “O bife” para compor a melodia é uma referência a um antigo slogan da marca: “Aquele que vale por um bifinho”.

Mas sucesso mesmo fez “Pipoca com Guaraná”, composto pelo já falecido César Brunetti, na MCR, lançado para divulgar o Guaraná Antarctica entre o público jovem nos anos 1990. O estouro foi tão grande que o jingle chegou até a ganhar uma versão para o Carnaval que entrou no repertório de bandas e trios elétricos.

Washington Olivetto, na orelha do livro, escreve que a fabricação de chicletes de ouvido é fundamental na indústria da propaganda. O publicitário Sérgio Campanelli também tem sua máxima: “Quando você tiver qualquer dúvida sobre o que dizer em sua campanha, cante”.

Fábio Barbosa Dias defende a tese de que os jingles são mais do que puro marketing.

Ao longo do texto, o autor ainda revela curiosidades como o significado da palavra jingle e a história do primeiro jingle do rádio brasileiro. Cita também nomes importantes da música brasileira, como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa e até Heitor Villa-Lobos, que foram autores de peças para produtos. O livro não é só para ser lido, mas também ouvido, já que inclui um CD com 150 jingles.

E se você é fã de jingles, relembre abaixo e se divirta com o Videoblog do Adonis com Zelão Namur, Beto Hora e o saudoso César Brunetti, gravado em 2013.

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