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ESTÁ NA HORA DO CONAR REVER SEUS CONCEITOS?

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Uma das campanhas de maior sucesso da Fiat no Brasil passou ilesa pelo Conar. Lançada pela Leo Burnett no final de 99, a série de comerciais abordando preconceito social, sexual ou racial, não sofreu qualquer processo pelo órgão. A cada caso explicitado nos filmes, a frase “Xi, está na hora de rever seus conceitos” indicava necessidade de mudança de comportamento. E o Conar, será que também deve começar a rever seus conceitos? Hoje, uma legião de censores não oficiais municia sistematicamente o Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária com denúncias em volume alucinante. O correto comportamento “politicamente correto”, porém, abriu as portas para os chatos, os implicantes, os detalhistas, que não conseguem enxergar a propaganda como a realidade exagerada e divertida, uma forma de arte, como deve ser encarada. Embora não atue mais, o grupo “Senhoras de Santana”, que naquela época policiava a publicidade sensual, continua representado na sociedade em escala muito maior. Os defensores da moral e dos bons costumes exageram em seu policiamento publicitário. Depois do Boticário, indiciado por um beijo gay que já existe em novelas e pelo documentário “Divórcio”, acusado de machista mesmo que os maridos levem a pior diante de ex-esposas radiantes, o Itaú vai sentar no banco dos réus. Seu pecado? Descobrir que as palavras “digital” e “Itaú”, juntas, poderiam formar um significado potente para exemplificar sua atuação tecnológica em benefício dos clientes. “Digitau, o digital com u” foi alvo de quase duas dezenas de reclamações sobre educação infantil inadequada, como se crianças a partir da propaganda iriam começar a cometer erro gramatical e escrever “digital” com “u”. O Conar, a princípio, não pretende mudar sua conduta e continuará seguindo seu código e regimento de ética formulado em 1978 e atualizado constantemente. O órgão continuará de portas abertas para o consumidor, conforme seu propósito. Não vai formar juízo de valor sobre denúncias, embora sua triagem de casos obedeça simplesmente o volume de reclamações, fundamentadas em artigos do código. Mesmo que isso represente cada vez mais trabalho aos seus componentes, às agências e anunciantes, que devem constituir advogado e formular defesa para atender os chatos guardiões de plantão. E para quem ainda não entendeu ou não quis entender o objetivo do Itaú com sua campanha, a agência Africa já lançou um novo vídeo explicando o que é Digital com “U”. (Vote na enquete ao lado e dê sua opinião sobre mudanças na atuação do Conar).

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